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Mundial - Fórmula 1

CAMPEONATO MUNDO DE FÓRMULA 1 - 2019 - ABU DHABI - SEGUNDO A OPINIÃO DA F1 FLASH

Segunda, 02 Dezembro 2019 11:02 | Actualizado em Quinta, 05 Dezembro 2019 20:18

O CONTO DE FADAS DE HAMILTON NO ABU DHABI…
E O PESADELO DA SUCESSÃO DE ERROS E MULTAS DA FERRARI

Com vitória, volta mais rápida com recorde da pista e liderança de princípio a fim, depois da «pole», o que se pode dizer mais da 84.ª vitória de Lewis Hamilton, a sua 5.ª no G.P. do Abu Dhabi e da forma como encerrou com chave de ouro mais uma temporada brilhante? O piloto da Mercedes já andava arredado das vitórias há duas corridas, mas tinha prometido voltar em força para se despedir do W10 que considera uma obra de arte. E lá o envia para o museu da Mercedes com a merecida coroa de louros.

Uma prova de total domínio, em que Hamilton foi para a frente, a partir da «pole», e nunca mais ninguém o viu, tirando partido da extrema eficácia do seu carro, em especial no terceiro e mais sinuoso sector. «Mesmo já tendo os títulos garantidos, continuámos a dar o máximo para tentar aprender mais e extrair o máximo deste carro maravilhoso. É uma peça de arte!». A que Hamilton correspondeu hoje com um verdadeiro recital de pilotagem, sem dar quaisquer hipóteses aos seus rivais…

Até porque a Red Bull não teve argumentos para seguir a velocidade do Mercedes, numa prova em que Verstappen se queixou de um funcionamento deficiente do seu acelerador e a Ferrari… voltou a estar muitos furos abaixo do que é necessário para discutir títulos, com défices graves do SF90 e falhas primárias da equipa! Vai ser um longo e pesado defeso em Maranello…

Hoje foi daqueles dias em que praticamente todos os pilotos fizeram grandes arranques, o que fez com que quase não houvesse grandes alterações na ordem do pelotão. Apenas Leclerc conseguiu impor a velocidade do seu Ferrari mas já mais à frente, na longa recta, roubando o 2.º lugar a Verstappen, enquanto Gasly ficava sem a asa dianteira, ao ser tocado na traseira por Stroll e indo tocar com a frente em Perez, e Bottas começava a ganhar lugares desde a última posição.

Na sua difícil missão de tentar chegar ao pódio com um carro superior aos restantes, Bottas teve um enorme contratempo, quando todos os pilotos ficaram impedidos de usar o DRS durante 17 voltas. Vettel (que tinha pneus macios no Ferrari para atacar na fase inicial da corrida) foi outro dos prejudicados por essa falha grave por parte da organização.

Que se passou? O director de prova, Michael Masi, explicou: «Um servidor ‘crashou’ e, embora a cronometragem continuasse operacional, não podíamos fornecer dados consistentes aos carros. E como não conseguimos reactivar o sistema, bloqueámos o DRS até voltarmos a ter 100% de confiança de que tudo estava a funcionar correctamente». Ou seja, o que falhou foi o servidor que media se a diferença entre dois carros era inferior a um segundo, condição indispensável para que o DRS possa ser usado.

A falta do DRS realçou de imediato a maior dificuldade em ultrapassar, embora na pista de Yas Marina não tenha sido impossível assistir a algumas manobras. Com maior ou menor dificuldade, Bottas lá foi subindo lugares, ao mesmo tempo que fazia durar os seus pneus médios. Os Mercedes estavam imbatíveis e, lá na frente, Hamilton abria gradualmente a vantagem, conseguindo também um ritmo em que mantinha os pneus em bom estado.

O mesmo não podiam dizer os Ferrari, Leclerc ainda tentou seguir o ritmo do hexacampeão do Mundo, mas as curvas do terceiro sector davam-lhe cabo dos pneus. Era o «calcanhar de Aquiles» dos Ferrari e, mesmo com pneus médios – algo que deixara Vettel entre o espantado e o zangado, pois tinha sido estabelecido em equipa que ambos se qualificariam no Q2 com macios e foi Leclerc quem exigiu fazer uma volta com os médios… – o monegasco começava a sentir muitas vibrações.

E aqui convém fazermos nós uma «paragem nas boxes» para falar dos erros inacreditáveis da Ferrari, um dos quais só por uma análise repleta de bom-senso por parte dos comissários não custou o pódio a Charles Leclerc! O monegasco começou a corrida com um carro… ilegal, com mais 4,88 kg de gasolina a bordo do que a Ferrari tinha comunicado à FIA, algo que é obrigatório. Uma falha que, no limite, pode levar à desclassificação, mas que, horas depois do final da corrida, os comissários decidiram limitar a uma muta de 50 mil dólares à Scuderia. O que é justo, por se ter tratado de um erro da equipa que, pelo menos a nível de peso, nem beneficiaria o piloto. Poderá levantar questões sobre o interesse de levar gasolina a mais mas, acima de tudo, coloca em causa o rigor de uma equipa que é, supostamente, uma das melhores da F1!

Mas houve mais… Face ao desgaste dos seus pneus, a Ferrari foi a primeira a mandar parar os seus pilotos para montar pneus duros e a vantagem de Leclerc sobre Vettel era tal que deu para que parassem os dois na mesma volta. Pois na paragem do alemão, o mecânico que retirou o pneu da frente-direita não tinha luvas, o que é rigorosamente proibido… além de ter queimado as mãos, tal a temperatura do pneu! Por isso a Ferrari deverá pagar mais uma pesada multa… Como é isto possível numa equipa de Fórmula 1 e ainda mais na Ferrari?! Um carro que só anda bem nas rectas, pilotos que batem um no outro, estrategas que entregam corridas aos rivais, erros crassos na interpretação de regras básicas e até… mecânicos sem equipamento?! Tanto que há para rever em Maranello!

Voltemos à corrida, com Hamilton a «passear-se» tranquilamente e Verstappen, entretanto, a conseguir superiorizar-se a Leclerc, quando o monegasco já estava de novo aflito com o estado do segundo jogo de pneus. Mesmo com o holandês a queixar-se do comportamento algo aleatório do acelerador do seu Red Bull/Honda, passou pelo Ferrari e «desapareceu», rumo ao 2.º lugar.

A Ferrari ia vendo, ao longe, Bottas a ganhar lugares e jogou em parar Leclerc uma segunda vez para lhe montar pneus macios. Jogada de risco, pois o monegasco perdeu a larga vantagem que tinha, mas ainda conseguiu atacar durante algumas voltas. O piloto da Mercedes guardou-se, contudo, para as últimas cinco, altura em que se chegou ao Ferrari, acabando por cortar a meta com apenas nove décimos de atraso. Mais uma volta, quem sabe? De uma coisa Bottas parecia ter a certeza: «Aquelas 17 voltas sem DRS custaram-me o pódio!». Talvez, é provável… mas nunca o saberemos.

Certo certo é que Lewis Hamilton voltou a igualar o seu máximo de 11 vitórias numa época (52,4% das provas deste ano foram ganhas por si), tornou-se o piloto com mais pontos numa só época (413), terminou nos pontos pela 33.ª prova consecutiva (registo alcançado pela segunda vez), terminou todas as 1262 voltas deste Mundial e, pela quarta vez na sua carreira, conseguiu 17 pódios numa época! Nada mau, temos de reconhecer…

«Sinceramente estou orgulhoso pela vitória, mas, acima de tudo, super agradecido por esta incrível equipa, a forma como continuou a trabalhar no duro pra evoluir este carro!», comentou o britânico que não se esqueceu dos «seus». «E o ‘Team LH’, viajo por 21 países e continuo a ver pessoas sempre a apoiar-me e dar-me tanta energia!». Quanto à cada vez maior «ameaça» dos pilotos mais novos, Hamilton diz sentir-se privilegiado por poder batalhar com eles: «Há muitos jovens a chegar, se virem a grelha, do 2.º a 8.º eram quase todos jovens. Fico orgulhoso por estar a viver este período, com eles a chegarem e a fazerem um trabalho fantástico!».

Quanto a Verstappen, com o 3.º lugar do Mundial garantido (no fundo, nunca esteve em risco), mostrava a sua satisfação: «Tive pequenos problemas, mas não fez grande diferença no final. Tivemos de fazer algo diferente da Ferrari em termos de estratégia para os conseguirmos passar. Foi uma boa época e acabar em 3.º no Mundial acaba por ser um bom resultado. Vamos trabalhar duro no defeso, mas também preciso de tirar tempo para família e recarregar as baterias».

Apesar de não ter conseguido lutar nem mesmo com Verstappen como desejava, Leclerc fazia um balanço muito positivo da primeira temporada, em que bateu o colega de equipa, Sebastian Vettel: «Estou muito contente com este ano, aprendi muitas coisas com o ‘Seb’ e é soberbo estar na F1 com a Ferrari! Agora cabe-me a mim trabalhar, tornar-me melhor e dar a esta equipa tudo o que ela merece».

Depois de Bottas, Vettel teve de trabalhar muito para conseguir chegar a 5.º e só mesmo nas últimas voltas conseguiu suplantar Alex Albon (Red Bull), depois de ter perdido cerca de sete segundos na sua primeira paragem (a tal do mecânico sem luvas), com problemas nas duas rodas da esquerda. Mais um dia difícil para o alemão que perdeu muito tempo no início, quando tinha pneus macios, por não poder usar o DRS para atacar…

Espantosa foi a corrida de Sergio Perez (Racing Point), uma vez mais a exibir-se como um dos melhores pilotos do pelotão a gerir o desgaste dos pneus, tendo levado o seu jogo de médios a fazer 37 voltas! Isso foi fundamental para, com um jogo novinho de borrachas duras, atacar nas voltas finais e terminar num brilhante 7.º lugar, passando Lando Norris (McLaren) já muito perto do fim.

O desgaste dos pneus dos McLaren e Renault fez, aliás, com que andassem um pouco para trás, o que também fez a felicidade de Daniil Kvyat (Toro Rosso), outro dos que parou muito tarde por ter arrancado com pneus duros, conseguindo o russo chegar ao 9.º posto. Emocionante foi a última volta de Carlos Sainz que, depois de uma segunda paragem em que montou novo jogo de médios no seu McLaren, atacou como um «loco» e passou Nico Hulkenberg na última volta (da última corrida do alemão…), para garantir o ponto que lhe valeu o 6.º lugar no Mundial, com mais um ponto que Gasly que tinha vantagem em caso de empate, pelo pódio no Brasil!

Foi com o habitual e gigantesco fogo de artifício que o Mundial de F1 de 2019 encerrou no circuito de Yas Marina, mas isso não significa que os motores se tenham calado… Terça e quarta-feira ainda haverá dois dias de testes, com as equipas a experimentarem os pneus que a Pirelli desenvolveu para 2020 (mas sem experimentar novidades nos carros), para decidirem se os adoptam ou se prescindem dessa novidade e continuam com os pneus deste ano. A estreia de Esteban Ocon como piloto da Renault será outro dos pontos de interesse. Depois sim, começará o defeso… nas pistas, pois nas fábricas acelera-se totalmente a fundo para o Mundial de 2020!


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