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Mundial - Fórmula 1

CAMPEONATO MUNDO DE FÓRMULA 1 - 2018 - F 1 FLASH

Segunda, 29 Outubro 2018 09:33 | Actualizado em Quinta, 06 Agosto 2020 06:35

VERSTAPPEN A VENCER E HAMILTON CAMPEÃO
NUM G.P. DO MÉXICO COM UM CERTO AR DE «DÉJÀ VUE»…

De certa forma o G.P. do México deste ano foi um «remake» do do ano passado: domínio total de Max Verstappen a dar a vitória a Red Bull; e Lewis Hamilton a fazer uma corrida a limitar os danos num dos piores fins-de-semana da Mercedes, para garantir o suficiente para garantir a conquista de mais um título mundial, neste caso o quinto!

Verstappen fez o mesmo que no ano passado: largou de 2.º e liderou a corrida de princípio a fim, dominando totalmente a concorrência. Corrida perfeita, como o seu chefe de equipa, Christian Horner, fez questão de salientar: «O Max vencer hoje é a continuação da corrida de Austin onde já tinha guiado muito bem. O lado amargo é que devíamos ter os dois pilotos lá em cima e ficámos sem o Daniel… Mas assim que o Max chegou hoje à pista podia ver-se um piloto muito determinado e, assim que se apanhou no comando, liderou e controlou tudo, em especial o desgaste dos pneus, em que foi brilhante».

Já Hamilton teve de sofrer, apesar de um início fabuloso. Mas a Mercedes teve o seu pior fim-de-semana no México, já há um ano tinha sido pouco competitiva no Autodromo Hermanos Rodriguez… Os Ferrari foram muito melhores e a Scuderia recolocou-se na luta pelo Mundial de Construtores mas, no final, a tristeza do 2.º classificado (Vettel) contrastava com a felicidade do 4.º! Às vezes o desporto tem estes contrastes algo cruéis…

Se a partida seria um momento definidor e se havia o perigo de os dois pilotos da Red Bull se «pegarem» um com o outro, foi… sim e não. Porque Verstappen largou muito bem e Ricciardo, com as rodas a patinarem demasiado, perdeu terreno de forma definitiva, sendo passado de imediato por um «Hamilton-foguete» que chegou até a liderar o pelotão, antes de ter de ceder o comando na travagem para a curva 1 por o holandês da Red Bull estar por dentro e não ser momento de correr riscos excessivos. Vettel também largou muito bem, mas ficou «encurralado» atrás de Verstappen e com Ricciardo a seu lado, sem poder mexer-se da sua posição, ficando em 4.º, apesar de Bottas o ter chegado a ameaçar.

Verstappen aproveitou a maior rapidez do Red Bull nas zonas sinuosas para se afastar rapidamente mas, surpresa, mesmo os pneus ultramacios (os médios no México) começaram a «esfarelar-se», mais rapidamente nos Mercedes que pararam na mesma 12.ª volta. E isso obrigou a Red Bull a responder de imediato, mas sem que isso alterasse a ordem em que rodavam. A Ferrari, por seu turno, ficou em pista mais algumas voltas até montar, tal como os outros, os supermacios.

O holandês da Red Bull mandava na corrida como queria e, mesmo seguindo as instruções para cuidar dos pneus, conseguia abrir uma vantagem superior a dez segundos para Hamilton que, por sua vez, tinha Ricciardo e Vettel bastante perto e já todos a comentarem o estado dos pneus que tinham montado há uma quinzena de voltas… Por vontade dos pilotos esta seria uma corrida de quatro paragens! Mas isso não era hipótese e, além disso, Vettel nem se queixava e começava a mostrar um ritmo bastante forte para ameaçar e passar, primeiro Ricciardo, depois até Hamilton. Que, diga-se, estava em modo «luta q.b.» porque outros valores se levantavam…

Nessa altura, o homem da Ferrari ficava a cerca de 15 segundos da vitória de que tanto necessitava (esperando ainda que algo sucedesse a Hamilton) e a que Verstappen se agarrava com aparente conforto. Hamilton, por seu turno, via a vida a andar para trás e a sofrer o «síndrome de título à mão», queixando-se dos pneus e de vibrações, ouvindo barulhinhos… Era a vez de Ricciardo tentar atacá-lo e acabou mesmo por o passar quando Hamilton falhou a travagem na primeira curva, seguindo pela relva.

A 24 voltas do final, o piloto da Mercedes mostrava fraco andamento, parecendo confirmar o desgaste dos pneus, mas o seu problema era não ter mais nenhum jogo de borrachas novas na «box», apenas uns ultramacios já usados que lhe foram de imediato montados e que, já se sabia, não iriam durar grande coisa… Ao mesmo tempo, Bottas cometia exactamente o mesmo erro e perdia o 4.º lugar para Raikkonen! Uma vez mais, no México os Mercedes tiveram uma actuação abaixo do esperado e foram os mais fracos dos «três grandes». A parte final da corrida de Hamilton foi feita quase em ritmo de passeio, aguentando apenas o 5.º lugar (a primeira ausência do pódio desde a Áustria), suficiente para o 5.º título

A luta pela frente ganhou uma pequena animação quando a vantagem de Verstappen para Vettel baixou de 15 para 8 s após uma segunda ronda de «pit stops», mas com um detalhe: entre eles estava Ricciardo que não mudou de pneus e ia fazer a corrida toda só parando uma vez! Apesar de uns pneus super envelhecidos, o australiano resistia de forma brilhante aos ataques de Vettel até ser de novo «atacado» pela «virose» que o tem seguido toda a época: 8.º abandono, o piloto que mais desistências coleccionou!

Vettel ficava em 2.º a 20 s, Verstappen pedia para lhe verificarem todos os parâmetros do motor e que, se fosse preciso, lhe baixassem a potência só para terminar a corrida, afinal faltavam apenas oito voltas. Hamilton subia a 4.º e rodava com mil e uma cautelas, embora este resultado, com os dois Ferrari à frente, não fosse nada do agrado da Mercedes que perdia mais 11 pontos no Mundial de Construtores, ficando com apenas 55 pontos de vantagem.

Apesar do motor em modo mais calmo – menor fluxo de combustível, menor potência – Verstappen ainda conseguiu alargar a vantagem para um Vettel já rendido à evidência de perder a luta pelo mundial. E o holandês replicou na perfeição a vitória do ano passado: «A partida foi a chave da corrida, a velocidade do Lewis foi incrível mas ele não quis arriscar nada na travagem. Esta noite não tinha dormido lá muito bem… [ainda o amargo de boca pela falha da «pole»]. O carro esteve impecável e os pneus funcionaram muito bem. Queríamos ter uma dupla ou, pelo menos, os dois carros no pódio mas, no final, já só não queria abandonar... Festa? Não, não vai haver, vou ainda esta noite para casa».

Vettel estava visivelmente cabisbaixo, embora o desenlace desta prova não o devesse surpreender. E foi parco em palavras: «Não foi um dia fácil mas parabéns ao Lewis e à sua equipa, fizeram super trabalho ao longo do ano». E mais não disse porque: «Agora quero ir dar os parabéns ao Lewis». E lá foi, ficando ambos uns longos segundos à conversa, numa bela demonstração do que este desporto deve ser, forte rivalidade, enorme respeito dentro e fora da pista. No pódio coube ainda Raikkonen que só parou uma vez: «Os pneus duraram, já não era tão rápido como queria no final, mas não me posso queixar muito, pois fui até ao pódio».

Enquanto o pódio se transformava num palco de DJ e o estádio de basebol numa gigantesca pista de dança, o rei da festa era, obviamente, Lewis Hamilton, pentacampeão do Mundo: «É um sentimento muito estranho, para já… Este campeonato não foi ganho aqui, foi ao longo de muitas corridas e estou muito agradecido a todos os que estão na fábrica e todos os que colaboram connosco. Estou na Mercedes desde os 13 anos, completar isto e pensar que Fangio fez o mesmo com a Mercedes é algo de incrível!». Já em relação à prova de hoje, não escondia: «Foi uma corrida horrível, fiz uma óptima partida mas, depois, foi uma dor de cabeça constante com os pneus e foi só trazer o carro até ao final».

É verdade que Sainz foi dos primeiros a abandonar mas, com o 6.º lugar de Hulkenberg, a Renault deu um passo importante para garantir o seu grande objectivo para este ano, o 4.º lugar no Mundial de Construtores. Em especial porque os Haas passaram totalmente ao lado da corrida, tal como os Force India que ainda deram nas vistas mas abandonaram os dois. Assim, além dos dois Sauber que já nos habituaram a entrar nos pontos, temos de dar um forte destaque a duas corridas: Stoffel Vandoorne, já ciente de que não continuará na F1 (a Fórmula E é o seu futuro) fez uma magnífica corrida para terminar no 8.º lugar; e Pierre Gasly mostrou as evoluções que a Honda tem feito, levando o Toro Rosso ao 10.º lugar, depois de ter largado de último! A próxima corrida realiza-se dentro de duas semanas, em Interlagos, onde se disputará o G.P. do Brasil. Decidido o título de Pilotos, todas as atenções se viram agora para a discussão entre a Mercedes e a Ferrari pelo ceptro dos Construtores.
#F1Flash #gpMexico


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