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Mundial - Fórmula 1

CAMPEONATO MUNDO DE FÓRMULA 1 - 2018 - SEGUNDO A OPINIÃO FA F1 FLASH.COM

Segunda, 22 Outubro 2018 18:05 | Actualizado em Sábado, 25 Janeiro 2020 21:47

APÓS UM «CORRIDÃO» DESTES COM UM FINAL ESPECTACULAR
SERÁ QUE… NÃO SE PODE RECOMEÇAR AGORA O MUNDIAL?!

Que corrida soberba, que desfecho magnífico e… como é bom que possamos gozar mais um «match point» neste Mundial, dentro de uma semana, no México! Graças a uma actuação superior de Kimi Raikkonen (de certeza que vai mesmo para a Sauber em 2019?...) que se reencontrou com as vitórias ao fim de cinco anos e sete meses (desde 17 de Março de 2013, na Austrália), aproveitando a subida de forma da Ferrari que, como previmos poucas horas antes da prova, tinha de facto o melhor carro para a corrida.

Foi pena para a Scuderia que Sebastian Vettel se visse envolvido em mais um incidente que o relegou quase para o final do pelotão, de onde teve de encetar uma recuperação. Mas que o deixou numa posição de ter praticamente o título perdido. Valeu-lhe que a Mercedes não tinha, de facto, o carro mais competitivo em pista, sendo talvez até batida pela própria Red Bull que viu Max Verstappen fazer um «corridão» que o levou de 18.º… a 2.º! Uma vitória da Scuderia que teve um certo misticismo pelo meio, com Maurizio Arrivabene a não esquecer uma perda recente: «Um dos nosso engenheiros de pista faleceu a semana passada e está lá em cima a olhar por nós», disse, depois de reforçar «o orgulho que sinto por toda esta equipa».

A Ferrari prescindiu dos mais recentes «upgrades» do SF71H, voltou a configurações básicas e o seu monolugar recuperou vida e competitividade. Pelo contrário, a Mercedes não se deu bem com as mudanças ocorridas e, numa corrida para a qual as equipas foram quase «às cegas», não mostraram ter o carro mais rápido. E só tinha a ver com o carro, pois usaram duas estratégias distintas e nenhuma delas funcionou. «Faltou-nos ritmo hoje, temos de repensar o que poderíamos ter feito melhor», reconheceu Toto Wolff. «Mas proporcionámos um grande ‘show’!». Isso é verdade, este G.P. dos EUA ficará como um dos pontos altos da época e, também por isso, ainda bem que continuaremos com a discussão do título no México, onde os Red Bull se juntarão aos Ferrari e Mercedes como grandes candidatos à vitória!

O dia começou logo com condições ainda desconhecidas para todos. Asfalto a 28 ºC que as equipas ainda não tinham conhecido e pressões dos pneus elevadas pela Pirelli de 20 para 21,5 psi, o que prometia riscos acrescidos de desgaste das borrachas. Mas tudo se começaria a definir no arranque, altura em que Raikkonen aproveitou a melhor tracção dos seus pneus ultramacios face aos supermacios de Hamilton para lhe roubar a liderança e ganhar logo alguma vantagem.

Logo na primeira curva já Vettel teve de ir à escapatória para evitar Bottas que travou forte para não tocar em Hamilton, embora mantendo o 5.º lugar e atacando de imediato o Red Bull de Ricciardo na longa recta. Passou-o com aparente facilidade, mas voltou a falhar a travagem e Ricciardo não perdoa nestas coisas, candidatando-se a recuperar o lugar, colocando-se logo a seu lado. O Ferrari até estava por dentro, mas Vettel voltou a embater com a roda dianteira e a fazer um pião, caindo para 15.º… A sua causa de evitar o título de Hamilton complicava-se ainda mais, mesmo que Raikkonen fosse mantendo Hamilton em 2.º.

Verstappen fazia mais uma das suas «super-escaladas», mesmo com os pneus macios, subindo de 18.º a 5.º em apenas oito voltas! E subiria a 4.º à custa do seu colega de equipa, com mais um abandono de Ricciardo quando o seu Red Bull se desligou por completo… Já na grelha os seus mecânicos tinham andado de volta do seu carro, tirando amostras de óleo, pelo que já haveria alguma desconfiança de que algo estaria mal. Para o Red Bull ser retirado, houve um «safety car virtual» (todos os carros a andar devagar, à mesma velocidade) e apenas a Mercedes aproveitou para trocar os pneus a Hamilton, montando-lhe os macios. Alguém fez uma boa jogada estratégica: a Mercedes montando pneus macios a 44 volta do fim? Ou a Ferrari deixando Vettel e Raikkonen em pista?

A Mercedes tratou logo de avisar Bottas para não fazer Hamilton perder tempo, o britânico «voava» e ganhava muito tempo por volta a Raikkonen. À primeira vista, parecia que, pelo menos com Vettel, teria feito sentido trocar-lhe os pneus, até pelo desgaste extra após o pião no incidente com Ricciardo. Mas seria mesmo?... Hamilton recuperou o atraso e colou-se rapidamente a Raikkonen, tendo já uma paragem nas «boxes» de avanço, mas mantinha-se a dúvida: conseguiria ir até final com aqueles pneus ou estaria a Mercedes a pensar numa estratégia de duas paragens, contra uma da Ferrari? Fosse como fosse, Hamilton seguia, na 20.ª volta, com 16 s de vantagem sobre Vettel…

Foi a fase em que Raikkonen ajudou, de facto, Vettel, com três voltas em que transformou o seu Ferrari num… camião TIR, impedindo de forma brilhante que Hamilton o passasse e fazendo-o perder cerca de oito segundos. O suficiente para baralhar as contas à Mercedes que queria claramente fazer uma única paragem. A vinte voltas do fim começava a perceber-se que isso seria difícil e a equipa teve mesmo de montar pneus novos a Hamilton, a 18 voltas do fim, fazendo-o cair para 4.º, atrás de Raikkonen, Verstappen e Bottas, com Vettel em 5.º. Nesta situação, o título estava adiado para o México e Hamilton preparava-se para 18 voltas de qualificação, com Raikkonen 12 s à frente…

A luta era agora à distância porque Hamilton até podia ser campeão sem vencer, se fosse 2.º e Vettel não fosse além de 5.º… Bottas voltou a afastar-se para não o fazer perder tempo (ficando com a responsabilidade de manter Vettel em 5.º), Verstappen estava a 6,5 s. Hamilton forçava o ritmo, estabelecia novos recordes da pista americana mas, quando se chegou mais perto, ficou difícil colocar-se em situação de ataque. Hamilton via Raikkonen e Verstappen mesmo ali à sua frente, mas não conseguia colar-se, enquanto Vettel tentava atacar Bottas mas também tinha dificuldades… A corrida estava ao rubro, qualquer mexida podia decidir o título, bastava Hamilton passar Verstappen e Vettel não conseguir superiorizar-se a Bottas!

Mas tudo correu ao contrário dos desejos da Mercedes… Raikkonen manteve-se imperturbável, gerindo uns pneus já em muito mau estado, mas os dos seus perseguidores não estavam melhores. Verstappen, com supermacios, seria até o que estava em pior situação e uma falha no final da longa recta foi logo aproveitada por Hamilton para um ataque quase desesperado. Num final de corrida de emoção máxima, foi a cereja no topo do bolo, uma luta roda a roda, com o holandês a defender cada centímetro, o britânico a forçar cada milímetro, mas a entrar, por fora, numa zona de fraca aderência e a alargar demasiado a trajectória, deixando fugir o Red Bull. E, com isso, Raikkonen sorria entre dentes… Quase ao mesmo tempo, Vettel passava Bottas e limitava os danos, perdendo apenas três pontos para Hamilton.

Raikkonen estava aquele género de felicíssimo que só o «Ice Man» sabe estar: «Sim, estou mais contente do que se tivesse terminado em 2.º…», dizia, cinco anos e sete meses depois da última vitória. Obviamente... Mas acrescentaria: «Foi um grande fim-de-semana, fiz uma boa partida e tive de forçar muito. No final os pneus não estavam na melhor forma, mas acho que os outros estavam com o mesmo problema, apenas tentei manter a consistência. Sim, a última vitória já foi há muito tempo, mas aqui estamos de novo...».

Max Verstappen forçou tanto dentro do habitáculo do Red Bull para chegar a um surpreendente 2.º lugar (tinha saído de 18.º!) que até… rebentou a bota de competição. A do pé direito, do acelerador, claro! «Foi um bocado inesperado, mas nas primeiras voltas subi muitos lugares e rapidamente estava a seguir os líderes e pude colocar pressão nos tipos da frente. Mas no final fiquei sem pneus…». Até que teve a fabulosa luta com Hamilton: «No final estava mesmo com problemas, foi quando bloquei as rodas na curva 12 e, depois, foi uma bela luta com o Lewis. Mas claramente ele também estava com problemas de pneus».

O desfecho desta corrida representa mais que uma frustração para Lewis Hamilton, a maior das quais é, obviamente, não ter garantido a conquista do título. Mas também não ter emulado o recorde único do seu ídolo Ayrton Senna de cinco vitórias consecutivas num circuito… O britânico não deixou, contudo, de dar o mérito a quem o mereceu: «Parabéns ao Kimi que fez um fantástico trabalho, sem erros, e uma grande partida. O Max também fez um grande trabalho. Queríamos fazer melhor, mas isto foi o máximo que conseguimos. Não tenho a certeza de que a estratégia tenha dado o melhor resultado, quando parei da segunda vez fiquei com 12 s de atraso, o que era muito. A Ferrari melhorou o seu nível este fim-de-semana mas isso é bom. Espero já pelo próximo fim-de-semana para continuarmos esta luta!».

Embora tenha «sobrevivido» ao primeiro «match point» pelo Mundial, Sebastian Vettel ficou com a vida bastante complicada, tendo de vencer as três corridas que faltam e esperar que Hamilton não some… cinco pontos (o desempate será sempre a seu favor em número de vitórias). O alemão dizia-se com «sentimentos contraditórios»: «Estou muito contente pelo Kimi, nada contente com a minha corrida...». Quanto ao toque com Ricciardo: «Devia estar no ângulo morto dele, não sei se ele me viu, foi uma pena termos tocado porque acabou numa perda grande para mim». E, embora se mostrasse satisfeito com os progressos da Ferrari, concluiu: «Podíamos ter feito melhor que 1.º e 4.º, estou realmente contente pelo Kimi, mas para mim ainda não acabaram os tempos difíceis».

Vettel ainda limitou os estragos ao passar um Valtteri Bottas indefeso, já sem pneus e a questionar a estratégia da Mercedes que, no seu caso, até foi contrária à usada com Hamilton que também a pôs em causa… «O segundo turno foi demasiado longo e nas últimas voltas só tentei sobreviver. Não podia fazer nada para travar o Sebastian, uma paragem não funcionou para mim, é algo que precisamos de rever. Hoje não tínhamos o carro mais rápido, há coisas que temos de rever se queremos estar no topo no México». Pelos vistos não será bem ao nível da estratégia porque se uma paragem não funcionou e duas também não…

A corrida dos outros ficou logo sem parte da animação, quando Grosjean (Haas) bateu no Sauber de Leclerc, desistindo logo o francês e abandonando o monegasco um pouco mais tarde. Em condições de corrida, os Renault deram nas vistas e destacaram-se dos restantes, voltando a impor-se na luta pelo 4.º lugar do Mundial, facilitando bastante a sua vida, com 14 sólidos pontos, face aos dois da Haas, com Magnussen a separar os dois Force India, com Ocon de novo à frente de Perez, um trio em menos de dois segundos! Agora, a viagem não será extremamente longa, com todo o material a ter de ser transportado até à Cidade do México onde, no próximo domingo, se realizará o G.P. do México, no Autódromo Hermanos Rodriguez.


Texto de F1 Flash. com - www.velocidadeonline.com


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