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Mundial - Fórmula 1

CAMPEONATO MUNDO DE FÓRMULA 1 -2018 - SEGUNDO A FLASH F 1

Terça, 18 Setembro 2018 07:43 | Actualizado em Quinta, 06 Agosto 2020 06:26

EM DEFESA DA FERRARI E DE (ALGUMAS) OPÇÕES
VENDO O G.P. DE SINGAPURA… COM OLHOS DE JUNHO

Ontem, mal terminado o G.P. de Singapura, as «armas» voltaram-se para a Scuderia Ferrari «disparando» críticas em relação às suas opções tácticas, às decisões estratégicas e à forma como «entregou» à Mercedes uma vitória que deveria ser sua. Houve, de facto, alguns erros comprometedores ao longo do fim-de-semana, mas não ao ponto de se passar a imagem de uma equipa quase amadora que não sabe o que anda a fazer…

Já com a frieza de algumas horas passadas, analisemos melhor algumas das alegadas fraquezas da estratégia da Ferrari, nomeadamente a escolha inicial de dez dos treze jogos de pneus disponíveis em Singapura, feita há 14 semanas. E aqui, sim, iremos contradizer um pouco do que ontem escrevemos, mas burros são os que teimam na mesma posição, mesmo quando uma análise com mais tempo e profundidade faz vir ao de cima um quadro que mostra uma outra realidade. E se ontem analisámos uma opção tomada há três meses e meio pelo que se viu este fim-de-semana, vejamos agora essa mesma opção pelos olhos… de há 14 semanas.

A Pirelli anunciou os pneus para Singapura a 31 de Maio e as equipas tiveram de fazer a sua escolha até 15 de Junho (14 semanas antes para as provas fora da Europa). Essa semana foi precisamente após a claríssima vitória da Ferrari no Canadá… com estas mesmas misturas de pneus. Antes tinha sido Mónaco, onde a Scuderia confirmara que o seu carro, em pistas lentas, continuava melhor que o Mercedes, tal como em Montreal, circuito de fortes travagens e acelerações, mal comparado, tal como Singapura. Então, porque razão alterar as escolhas que tão bem tinham funcionado nesse quadro?...

«Esta é uma corrida que se controla muito facilmente desde que se esteja na frente, mas nós nunca lá conseguimos chegar», comentou Vettel, no final do G.P. de Singapura. Desde o início que foi esse o raciocínio da Ferrari para a corrida de Marina Bay, perante um cenário em que o seu carro estava visivelmente mais rápido que o Mercedes – que passou um mau bocado com o duplo abandono na Áustria, a menor competitividade na Alemanha disfarçada com a oferta de Vettel e o autêntico «soco no estômago» que foi a derrota em Silverstone –, com a equipa tricampeã um pouco «às aranhas».

A ideia da Ferrari (e da maioria dos analistas e fãs da F1, sejamos sinceros…), perante o quadro de Junho/Julho, é que os carros vermelhos chegariam a Singapura liderariam a qualificação e, a partir daí, poderiam controlar a corrida e, assim, recuperar pontos nos Mundiais. Isto era, mais ou menos óbvio, pelo que se percebe melhor a aposta em nove jogos (num total de 13) de pneus hipermacios. A liderança dos treinos livres foi-lhes aumentando essa auto-confiança… e esse foi um primeiro erro.

Não valorizaram (ou perceberam mas não tinham pneus para isso) o que a Mercedes andava a fazer nos treinos diurnos, quando a pista estava demasiado quente, rodando com as borrachas macias, preparando a segunda metade da corrida. Por outro lado, a Mercedes tinha, entretanto, evoluído muito o seu carro nas pistas lentas, aquilo que sempre fora uma fraqueza dos seus monolugares. «Só na Hungria, quando fomos muito fortes no último sector, percebemos que tínhamos um bom carro para pistas lentas», comentou James Allison, director-técnico. De repente, a vantagem da Ferrari neste tipo de circuitos esfumara-se.

Para «desajudar», não só as voltas de qualificação no Q3 foram mal preparadas em termos de posicionamento de pista – notou-se uma certa correria da parte de Raikkonen para ser primeiro em pista, enquanto Vettel ficava no meio de vários carros, enquanto Hamilton preparava a sua volta a baixa velocidade deixando enorme espaço para o carro da frente – como ninguém esperava uma volta daquelas do piloto da Mercedes… Nem tão-pouco de Verstappen, a relegar Vettel para a segunda linha. O plano que a Ferrari traçara 14 semanas antes começava a esboroar-se…

Vettel ainda fez o que tinha a fazer no arranque, chegando a 2.º e procurando pressionar Hamilton mas, como dizia o alemão, quem está na frente controla facilmente o ritmo e o desgaste dos pneus. O único erro crasso da Ferrari é quando, ao parar primeiro, monta pneus ultramacios no carro de Vettel, a 46 voltas do final, muito mais do que a Pirelli aconselha para aquela mistura… É aí que entrega definitivamente a corrida à Mercedes que pára logo a seguir, garantindo a posição em pista e com uns pneus macios que aguentam sem qualquer desgaste até final. Azar dos azares, Vettel fica preso atrás de Sergio Perez durante algumas voltas, perdendo o tempo suficiente para ser passado, «in extremis», por Verstappen.

No carro de Raikkonen, a Ferrari já montou pneus macios, mas também aqui se passou uma situação curiosa: foi a primeira vez em todo o fim-de-semana que o finlandês andou com aqueles pneus, por ser o único jogo disponível… Tal como Vettel mal tinha andado com os ultramacios, mas isso por ter ficado de fora na fase final do segundo treino de sexta-feira, depois do toque violento num muro. O que, no tal quadro imaginado pela Ferrari há 14 semanas (e reforçado pela boa forma de Julho), nem seria muito grave porque, nessa teoria, dominada a qualificação e com os seus carros na frente da corrida, montar aqueles pneus, mesmo que pouco ou nada testados, não era problemático numa pista em que as ultrapassagens são quase impossíveis.

Mas a realidade revelou-se dramaticamente amarga e o contra-ataque da Mercedes (afinal também Bottas foi mais rápido que Raikkonen…) foi muito forte na preparação de um carro que, ao fim destes anos todos, se adaptou na perfeição ao circuito de Marina Bay. Por alguma coisa Toto Wolff, antes mesmo das palavras elogiosas para com Hamilton, exclamou um «finalmente conseguimos perceber o circuito de Singapura!». E a Ferrari não esperava que isso acontecesse…


Texto : Flash F 1


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