CAMPEONATO DO MUNDO DE FÓRMULA 1 - 2017

  1. O MELHOR “CRU” LEWIS HAMILTON!

  2. POR JOÃO CARLOS COSTA - COMENTADOR EUROSPORT

  3. Para “beber”, saborear, disfrutar e manter na memória alguns dos momentos de puro prazer que nos ofereceu ao longo de 2017.
    Hamilton nem sempre teve o melhor monolugar, fosse o chassis ou a unidade motriz, mas mostrou uma enorme determinação. Ganhou o quarto título batalhando para chegar a um 9º lugar, mesmo perdendo uma volta para o vencedor do dia, algo que no passado só tinha acontecido com James Hunt, no GP do Japão, em Fuji/1976. Mas fê-lo... com a mesma capacidade de luta que mostrou ao longo de 2017, tivesse o carro imparável ou quando tal esteve longe de ser a realidade. O Mercedes W08 nem sempre foi aquele companheiro forte, de forma consistente, como tinham sido os W05, W06 e W07. Mas o Homem que obteve o 17º título para um piloto britânico (e que agora é o mais titulado dos súbditos de Isabel II na F1), soube dar a volta por cima. Pontuou sempre. Elevou o nível para uma fasquia de quase intocável após a pausa de Verão. Estava lá, como têm de estar os campeões, quando a Ferrari e Vettel tropeçaram. Umas vezes apanhou os cacos alheios, noutras foi ele que “partiu” a concorrência. Feitas as contas, ganhou mais e fez mais poles-position que os outros. Os títulos também se fazem de números, até porque é a soma de pontos que consagra um campeão. Ainda assim, Hamilton foi além disso. Travou uma batalha justa com Vettel. Com isso e muito mais, ajudou ao show que se deseja nesta “nova” F1. Hoje, mostrou isso mesmo na forma como festejou a quarta coroação. Os piões, a corrida de Union Jack aos ombros, os agradecimentos a puxar pelo público.
    2008, 2014, 2015 e 2017: 10 temporadas entre o primeiro e este ceptro. Quatro títulos bem diferentes. Mais haverá para conquistar. Já fez melhor que o ídolo de juventude. Não sei se Hamilton terá agora como objectivo quebrar todos os recordes de Schumacher. Nem importa. Importa sim, que continua com a garra do primeiro dia. É um profissional de mão cheia, dentro e fora do carro, quando está a trabalhar. De uma maneira diferente, imita Senna na forma como “liga e desliga”, entre o “cidadão” e o piloto.
    Hamilton está para durar. Não o estou a ver dizer adeus a tudo isto, a curto prazo. Gosta do dinheiro, gosta do glamour, gosta do estilo de vida. Mais ainda, gosta de ganhar. É verdade que adora a passerelle da fama fora das corridas. Mas lá, mesmo quando está entre amigos do Jet 7, raramente o vemos sorrir, de orelha a orelha, num tipo de prazer quase maquiavélico, como acontece quando arrasa a concorrência após uma daquelas voltas de eleição numa qualificação, ou quando festeja mais uma vitória ou um título.
    Hamilton sabe viver e tirar partido de todos os lados da vida. É um Sir. E merece sê-lo, de facto!